Fatores que Afetam a Saúde Docente: Estudo Introdutório em uma Escola de Educação Básica de São Paulo

Autores

  • Leandro Ferreira de Melo Universidade Federal de São Paulo, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação e Saúde na Infância e Adolescência. SP, Brasil.
  • Julia Bernardo Universidade Federal de São Paulo, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação e Saúde na Infância e Adolescência. SP, Brasil.
  • Tatiane Clair Silva Universidade Federal de São Paulo, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação e Saúde na Infância e Adolescência. SP, Brasil.
  • Denise De Micheli Universidade Federal de São Paulo, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação e Saúde na Infância e Adolescência; e Departamento de Psicobiologia.

DOI:

https://doi.org/10.17921/2447-8733.2018v19n4p438-443

Palavras-chave:

Professores. Políticas Educacionais. Rotina Escolar. Adoecimento Psíquico. Síndrome Burnout.

Resumo

A pesquisa buscou compreender quais fatores interferem na rotina escolar e na saúde docente.  Fizeram parte do estudo 30 professores do E.F II e Médio de uma escola pública de São Paulo. Tinha-se como hipótese que a rotina escolar é afetada não apenas por fatores intrínsecos a esta, mas também por fatores externos. Para alcançar os objetivos propostos, foi estruturado um questionário, a partir de elementos extraídos de pesquisas que abordaram a mesma problemática. Os resultados demonstraram que as principais questões citadas (em nível de frequências) pelos docentes se referiam à falta de políticas públicas para o magistério, como as de valorização do trabalho dos professores. Ficou evidenciado, ainda, que os fatores citados mais frequentemente pelos docentes contribuem para o descontentamento em relação as suas carreiras, interferindo de maneira significativa na rotina escolar e, possivelmente, no adoecimento mental dos mesmos. 

 

Palavras-chave: Saúde Docente. Adoecimento Docente. Rotina Escolar. Políticas Educacionais. Baixos Salários. 

 

Abstract

The public school, its routine and its subjects have been the targets of innumerable investigations, in order to understand the complex immersed  relationships in their daily lives. One of the widely discussed topics is about school routine and its implications for the teacher’s health. The present research was developed from this approach. It was therefore, sought to understand, which factors interfere in the school routine and teacher’s health. Thirty teachers were included in this study of Elementary School and High School of a public school in São Paulo. It was hypothesized that the school routine is affected not only by factors intrinsic to it, but also by external factors. To reach the proposal goals, a questionnaire was structured, based on elements extracted from research that approached the same problem. The results showed that the main mentioned questions (in frequency level) by teachers referred to the lack of public policies for the teaching, such as valuing teachers' work. It was also evidenced that the factors most frequently mentioned by the teachers contribute to the discontent in relation to their careers, interfering in a significant way in the school routine and possibly in the mental illness of the same ones.

 

Keywords: Teachers’ Health. Teachers’ illness. School Routine. Educational Policies. Low salary.

Biografia do Autor

Leandro Ferreira de Melo, Universidade Federal de São Paulo, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação e Saúde na Infância e Adolescência. SP, Brasil.

Professor da rede pública de educação do estado e município de São Paulo. Mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo. Doutorando no Programa de Pós-Graduação: Educação e Saúde na Infância e Adolescência, Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP. Ligado ao grupo de pesquisa: Centro Interdisciplinar de Estudos em Neurociência, Saúde e Educação na Adolescência. Orientadora: Profa. Dra Denise De Micheli.

Referências

ALARCÃO, I. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003.

ASSUNÇÃO, A.Á. OLIVEIRA, D.A. Intensificação do trabalho e saúde dos professores. Educ. Soc., v.30, n.107, p.349-372, 2009.

ARROYO, M.G. Oficio de mestre: imagens e auto-imagens. Petrópolis: Vozes, 2000.

BARRETO, M. Os educadores estão doentes. Quem são os responsáveis? Inform. Sindicato Munic.s Prof. Ensino Rede Oficial Recife, 2004.

BUENO, B.O; LAPO, F.R. A síndrome de burnout e o trabalho docente. Psicologia, v.13, n.2, p.21-292002.

BRITO, J.B.R.H.L.C.; NEVES, M.Y.; OLIVEIRA, S.R.L. Saúde, gênero e reconhecimento no trabalho das professoras: convergências e diferenças no Brasil e na França. Physis, v.24, n.2, p.589-605, 2014.

CODO, W. Educação: carinho e trabalho – Burnout, a síndrome da desistência do educador, que pode levar à falência da educação. Petrópolis: Vozes, 1999.

DALAGASPERINA, P.; MONTEIRO, J.K. Preditores da síndrome de burnout em docentes do ensino privado. Psico-USF, v.19, n.2, p.263-275, 2014.

DEJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo da psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez, 1992.

DEJOURS, C. Psicodinâmica do trabalho: contribuição de escola dejouriana à análise da relação prazer, sofrimento e trabalho. São Paulo: Atlas, 1993.

ESTEVE, J. M. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. Bauru: EDUSC, 1987.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GENTILI, P.; SILVA, T.T. Escola SA. Brasília: CNTE, 1994.

LIBÂNEO, J.C. O dualismo perverso da escola pública brasileira: escola do conhecimento para os ricos, escola do acolhimento social para os pobres. Educ. Pesqu., v.38, n.1, p.13-28, 2012.

LIBÂNEO, J.C.; OLIVEIRA, J.F. A educação escolar: sociedade contemporânea. Rev. Fragmentos Cultura, v.8, n.3, p.597-612, 1998.

LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber: manual de metodologia em ciências humanas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

LIMA, M.F.; LIMA-FILHO, D.O. Condições de trabalho e saúde do/a professor/a universitário/a. Ciênc. Cognição, v.14, n.3, p.74-89, 2009.

MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004.

MASLACH, C; LEITER, M. P. Trabalho: fonte de prazer ou desgaste? Guia para vencer o estresse na empresa. Campinas: Papirus, 1999.

MENDES, A. M. et al. Trabalho e saúde: o sujeito entre emancipação e servidão. Curitiba: Juruá, 2007.

NEVES, M.Y.; SELIGMANN-SILVA, E. A dor e a delícia de ser (estar) professora: trabalho docente e saúde mental. Estud. Pesq. Psicol., v. 6, n. 1, p. 63-75, 2006.

NORONHA, M.M.B.; ASSUNÇÃO, A.Á.; OLIVEIRA, D.A. O sofrimento no trabalho docente: o caso das professoras da rede pública de Montes Claros, Minas Gerais. Trab. Educ. Saúde, v.6, n.1, p.65-86, 2008.

OLIVEIRA, R.A.A. Concepção de trabalho na filosofia do jovem Marx e suas implicações antropológicas. Kínesis, v.2, p.72-88, 2010.

PATTO, M.H.S. “Escolas cheias, cadeias vazias” nota sobre as raízes ideológicas do pensamento educacional brasileiro. Estud. Aval., v.21, n.61, p.243-266, 2007.

SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Educação. Comunicado Conjunto CGEB/CGRH. São Paulo: SEE, 2014.

VYGOTSKI, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1991.

Downloads

Publicado

2018-12-30

Edição

Seção

Artigos